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Economia Circular: empresas enfrentam o custo real do desperdício

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Economia Circular: empresas enfrentam o custo real do desperdício

economia circular

Durante décadas, a economia global cresceu assente num modelo linear: extrair recursos, produzir, consumir e descartar. Mas esse sistema está a revelar-se cada vez mais insustentável do ponto vista ambiental, económico e social. A crescente escassez de matérias-primas, os elevados níveis de desperdício e a pressão sobre os recursos naturais demonstram a necessidade urgente de mudança.

De acordo com o Circularity Gap Report 2026, desenvolvido pela Circle Economy em parceria com a Deloitte, a economia mundial perde anualmente cerca de 25,4 biliões de euros devido às ineficiências associadas ao atual modelo linear. Este montante, denominado de “Value Gap”, isto é a lacuna entre o valor que poderia ser preservado numa economia circular e aquele que é destruído no atual modelo linear, representa 31% do PIB mundial, o que significa que, por cada três euros de valor económico gerados, um perde-se devido à ineficiência no uso de materiais.

Atualmente, a taxa global de circularidade situa-se nos 6,9%, o que demonstra que mais de 93% dos materiais utilizados continuam a ter origem em recursos virgens. Este cenário revela uma dependência excessiva da extração de matérias-primas e uma incapacidade crescente de reutilizar materiais de forma eficiente.

Economia circular como estratégia para o futuro

Perante este contexto, a economia circular assume um papel estratégico para empresas, investidores e governos. O objetivo passa por reduzir o desperdício, prolongar o ciclo de vida dos produtos e promover modelos de negócio mais sustentáveis e regenerativos.

O relatório destaca três áreas fundamentais para acelerar esta transição:

Empresas – As organizações devem apostar na inovação, criando modelos centrados na reutilização, reparação e extensão da vida útil dos produtos. O conceito de “produto como serviço” ganha relevância, permitindo reduzir o consumo excessivo e aumentar a eficiência na utilização de recursos.

Setor financeiro – Os financiadores têm um papel decisivo na transformação económica. A valorização de ativos duráveis, recicláveis e recuperáveis poderá influenciar a concessão de crédito e incentivar investimentos mais sustentáveis.

Decisores políticos – Os governos precisam de implementar políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis e internalizem os custos ambientais do desperdício. Medidas regulatórias e incentivos económicos serão essenciais para tornar os modelos circulares mais competitivos.

O impacto da economia circular nas empresas

A adoção de práticas mais eficientes deixou de ser apenas uma questão ambiental. Atualmente, representa também uma vantagem competitiva para as empresas que procuram reduzir custos, aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento e responder às exigências dos consumidores.

Além disso, investidores e mercados financeiros valorizam cada vez mais organizações alinhadas com princípios sustentáveis. A capacidade de reduzir desperdícios e reutilizar recursos poderá determinar o posicionamento das empresas nos próximos anos.

O Circularity Gap Report 2026 deixa uma conclusão clara: o crescimento económico futuro dependerá da capacidade de substituir a lógica do desperdício por modelos mais eficientes, regenerativos e sustentáveis. Num contexto de recursos limitados, crescer deixará de significar apenas produzir mais — significará sobretudo desperdiçar menos.

Fontes:

The Circularity Gap Report 2026: The Value Gap (https://dashboard.circularity-gap.world/report/2026/cgr-2026-overview)

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