A recolha de embalagens agrícolas voltou a crescer em Portugal ao longo de 2025, refletindo uma maior preocupação do setor com a gestão de resíduos e com a adoção de práticas mais sustentáveis. O aumento das quantidades encaminhadas para tratamento surge num período de transição para novas regras e para um alargamento do universo de embalagens abrangidas pelos sistemas de recolha.
Ao longo do último ano, o sistema gerido pela Valorfito recolheu 737 toneladas de embalagens agrícolas, num contexto marcado pela implementação de uma nova licença e pela inclusão de novos fluxos de resíduos. Apesar das alterações operacionais e logísticas associadas a esta nova fase, os dados revelam uma evolução positiva na adesão de agricultores, distribuidores e restantes entidades ligadas ao setor.
Crescimento da recolha acompanha maior sensibilização ambiental
O crescimento da recolha de embalagens agrícolas resulta de vários fatores. Por um lado, o sistema passou a abranger novas tipologias de embalagens, aumentando naturalmente o volume de resíduos considerados. Por outro, houve um reforço das ações de sensibilização e de proximidade junto dos agricultores e dos pontos de retoma.
Segundo António Lopes Dias, diretor-geral da Valorfito, os resultados de 2025 demonstram “a capacidade de adaptação e evolução do sistema num novo ciclo de exigência”.
A maior consciencialização para a importância da correta gestão de resíduos agrícolas tem vindo a traduzir-se numa participação mais ativa dos profissionais do setor. Paralelamente, o reforço da rede de recolha e a melhoria da eficiência logística facilitaram o encaminhamento adequado das embalagens vazias.
Este avanço é visto como um sinal de maturidade do setor agrícola português, cada vez mais alinhado com práticas de sustentabilidade e economia circular.
Nova fase traz desafios operacionais e novas metas
A implementação das novas regras trouxe também desafios ao nível da adaptação operacional. O alargamento do âmbito de recolha obrigou à reorganização de processos, ao reforço da capacidade logística e à adaptação dos diferentes intervenientes envolvidos na gestão destes resíduos.
Ao mesmo tempo, a nova base de cálculo alterou os indicadores de desempenho, nomeadamente a taxa de retoma, que se fixou nos 22,8% em 2025. Ainda assim, a Valorfito considera que este valor deve ser analisado no contexto de um primeiro ano de transição, marcado por mudanças significativas no universo de embalagens consideradas.
A expectativa é que, nos próximos anos, a taxa de retoma evolua de forma gradual e consistente, à medida que agricultores, distribuidores e operadores se adaptem plenamente ao novo enquadramento.
Agricultores assumem papel central na gestão de resíduos
Os agricultores continuam a desempenhar um papel determinante no sucesso da recolha de embalagens agrícolas. É no terreno que começa todo o processo de separação e encaminhamento correto destes resíduos, tornando essencial a participação ativa dos produtores.
Além do cumprimento das obrigações ambientais, a correta entrega das embalagens contribui para reduzir riscos de contaminação, minimizar impactos ambientais e promover uma agricultura mais sustentável.
Nos últimos meses, a Valorfito tem promovido iniciativas de sensibilização e sessões de esclarecimento dirigidas ao setor agrícola, com o objetivo de reforçar boas práticas e aumentar a adesão ao sistema de recolha.
Sustentabilidade e economia circular ganham peso no setor agrícola
A sustentabilidade ambiental continua a ganhar relevância no setor agrícola português. A valorização de resíduos, a redução das emissões e o reforço da economia circular estão cada vez mais presentes nas estratégias das empresas e das organizações ligadas à agricultura.
Nos próximos anos, o objetivo passa por aumentar significativamente a recolha de embalagens agrícolas e garantir o correto encaminhamento destes resíduos para tratamento e valorização. Em paralelo, o setor pretende continuar a reduzir o impacto ambiental associado à atividade agrícola e reforçar práticas alinhadas com as exigências ambientais europeias.
A evolução registada em 2025 demonstra que a gestão de resíduos agrícolas está a assumir um papel cada vez mais relevante na transformação sustentável da agricultura portuguesa.
Fonte: Revista Voz do Campo, nº 303