A crescente procura mundial por pescado tem impulsionado o desenvolvimento da aquacultura sustentável, tornando esta atividade uma das principais fontes de produção alimentar à escala global. Atualmente, a produção aquícola já supera a pesca extrativa em vários mercados, assumindo um papel fundamental na segurança alimentar de milhões de pessoas.
No entanto, o crescimento do setor traz também novos desafios ambientais. Questões relacionadas com o consumo de recursos, emissões de gases com efeito de estufa, utilização de energia e gestão de resíduos colocam a necessidade de desenvolver modelos de produção mais eficientes. Neste contexto, a aquacultura sustentável surge como uma prioridade para garantir o equilíbrio entre produtividade, rentabilidade e proteção ambiental.
O crescimento da aquacultura no mundo
Nas últimas décadas, o consumo global de pescado aumentou significativamente, levando a um crescimento acelerado da produção aquícola. Em 2022, a aquacultura representou mais de metade da produção mundial de pescado, demonstrando a sua importância para responder à procura crescente dos consumidores.
Países como China, Indonésia, Índia, Vietname, Bangladesh, Noruega, Egito e Chile assumem posições de destaque neste setor, sendo responsáveis por grande parte da produção mundial. A diversidade de espécies produzidas é igualmente significativa, abrangendo peixes, moluscos e crustáceos, cultivados em sistemas extensivos, semi-intensivos e intensivos.
Apesar da sua relevância económica e alimentar, o crescimento da atividade exige uma gestão cada vez mais rigorosa dos recursos naturais e dos impactes associados à produção.
Principais desafios ambientais da aquacultura
O desenvolvimento da aquacultura está associado a diferentes desafios ambientais, cuja dimensão varia consoante a espécie produzida, o sistema de produção utilizado e o nível de intensidade da exploração.
Entre os principais desafios encontram-se:
- Consumo elevado de energia em determinados sistemas produtivos;
- Utilização intensiva de recursos para produção de rações;
- Emissões de gases com efeito de estufa;
- Descarga de nutrientes e matéria orgânica nos meios aquáticos;
- Utilização de produtos químicos e medicamentos;
- Risco de propagação de doenças e parasitas;
- Potencial impacto sobre ecossistemas naturais devido à fuga de espécies cultivadas;
- Produção de resíduos e poluição associada a materiais plásticos.
Estes fatores tornam essencial a adoção de práticas que promovam uma aquacultura sustentável e reduzam os impactes ambientais ao longo de toda a cadeia de produção.
A importância da alimentação na pegada ambiental
Diversos estudos de Avaliação do Ciclo de Vida demonstram que a alimentação dos peixes representa um dos principais fatores de impacto ambiental na aquacultura.
A produção das rações contribui significativamente para as emissões de carbono, consumo energético e utilização de recursos naturais. Este impacto está diretamente relacionado com os ingredientes utilizados e com as necessidades nutricionais de cada espécie.
Espécies carnívoras, como o salmão ou o robalo, necessitam frequentemente de dietas mais ricas em proteína, que podem incluir farinha e óleo de peixe, bem como matérias-primas agrícolas. Por outro lado, espécies de nível trófico mais baixo apresentam geralmente menores necessidades alimentares e menor impacto ambiental.
A melhoria da eficiência alimentar constitui, por isso, uma das principais estratégias para promover uma produção mais sustentável.
Espécies com menor impacto ambiental
Nem todas as produções aquícolas apresentam o mesmo nível de impacto ambiental. Algumas espécies destacam-se pela sua elevada eficiência e reduzida necessidade de recursos externos.
Os bivalves, como mexilhões, ostras e amêijoas, são frequentemente apontados como uma das opções mais sustentáveis, uma vez que não necessitam de alimentação artificial e aproveitam os nutrientes naturalmente presentes no meio aquático.
Este tipo de produção apresenta menores emissões de gases com efeito de estufa, reduzido consumo de água e uma menor utilização de recursos agrícolas quando comparada com sistemas mais intensivos.
Tecnologia e inovação ao serviço da sustentabilidade
A inovação tecnológica desempenha um papel cada vez mais importante na evolução da aquacultura sustentável.
Ferramentas de monitorização digital, sensores inteligentes, sistemas automáticos de alimentação e soluções de nutrição de precisão permitem otimizar a utilização de recursos e reduzir desperdícios.
Além disso, o desenvolvimento de novas formulações de rações, com ingredientes alternativos e menor impacto ambiental, tem contribuído para melhorar a eficiência produtiva e reduzir a dependência de matérias-primas tradicionais.
A utilização de tecnologias avançadas permite também melhorar o controlo sanitário das explorações, reduzir perdas de produção e aumentar a sustentabilidade económica das empresas.
Certificação ambiental e confiança do consumidor
A crescente preocupação dos consumidores com a origem dos alimentos tem reforçado a importância da certificação ambiental no setor aquícola.
Os sistemas de certificação permitem garantir o cumprimento de boas práticas de produção, promovendo maior transparência ao longo da cadeia de valor. Além disso, ajudam as empresas a demonstrar o seu compromisso com critérios ambientais, sociais e económicos.
Esta valorização da sustentabilidade pode representar uma vantagem competitiva importante, especialmente em mercados mais exigentes e orientados para produtos de origem responsável.
O futuro da aquacultura sustentável
A aquacultura continuará a desempenhar um papel fundamental no abastecimento alimentar mundial. Contudo, o futuro do setor dependerá da capacidade de equilibrar crescimento produtivo e responsabilidade ambiental.
A adoção de práticas mais eficientes, a melhoria das rações, o recurso à inovação tecnológica e a implementação de sistemas de certificação serão fatores determinantes para garantir a sustentabilidade da atividade.
À medida que aumenta a procura por alimentos de origem aquática, a aquacultura sustentável afirma-se como uma solução estratégica para produzir mais, utilizando menos recursos e reduzindo os impactes sobre os ecossistemas.
Fonte: Tecno Alimentar