Os jovens agricultores estão entre os principais interessados no investimento em regadio, encarando a disponibilidade de água como um fator essencial para a produtividade, competitividade e modernização das explorações agrícolas.
A ideia foi defendida por Firmino Cordeiro, diretor-geral da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), durante o debate “Nova geração, novo regadio”, integrado no primeiro dia do XI Congresso de Rega e Drenagem.
Segundo o responsável, “quase não há nenhum projeto jovem agricultor que não tente irrigar pelo menos uma área dos seus objetivos em termos de investimento”. Para Firmino Cordeiro, o regadio está diretamente associado à produtividade, competitividade e qualidade da produção.
Jovens agricultores e regadio: investir e modernizar
Para além da expansão da área regada, a modernização das infraestruturas existentes é apontada como uma prioridade. Firmino Cordeiro defende a recuperação de barragens, a correção de condutas e a reconversão de sistemas de regadio, de forma a reduzir perdas e melhorar a eficiência.
Esta é também uma das linhas associadas à estratégia “Água Que Une”, que, segundo o diretor-geral da AJAP, pretende mobilizar diferentes entidades em torno de um projeto comum para melhorar a gestão e utilização da água.
O responsável considera que a falta de manutenção de algumas infraestruturas tem contribuído para perdas de água ao longo dos anos. Nesse sentido, defende um reforço da capacidade de armazenamento, permitindo reservar água para os períodos de maior escassez.
Eficiência na utilização da água
O investimento em regadio deverá ser acompanhado por uma utilização cada vez mais eficiente do recurso. “A questão aqui é a eficiência. Regar nos momentos certos, regar nas quantidades certas às plantas”, sublinha Firmino Cordeiro.
A investigação e o conhecimento técnico assumem, neste processo, um papel importante. Universidades, centros de investigação e estruturas especializadas do setor podem contribuir para identificar soluções que permitam melhorar a eficiência dos sistemas de rega.
A preocupação é particularmente relevante perante a crescente pressão sobre os sistemas agrícolas. Firmino Cordeiro alerta para os riscos enfrentados por algumas culturas de sequeiro, como o olival, o amendoal e a vinha, defendendo que a disponibilidade de água poderá ser determinante para a sua manutenção.
Água como fator de renovação geracional
A relação entre água e instalação de novos agricultores é, para a AJAP, cada vez mais evidente. “Os jovens agricultores são os primeiros a querer investir no regadio”, afirma Firmino Cordeiro, considerando que o desenvolvimento das infraestruturas deve acompanhar a entrada de uma nova geração no setor.
A estratégia “Água Que Une” surge, assim, como uma oportunidade para articular diferentes entidades em torno do investimento em água e regadio, procurando responder às necessidades atuais e futuras da agricultura portuguesa.
Para o diretor-geral da AJAP, a disponibilidade de água continuará a ser uma condição fundamental para a atividade agrícola: “Não se faz agricultura sem água, ponto. Nós transformamos a água em alimentos”.
O que defendem os jovens agricultores sobre o regadio?
Os jovens agricultores consideram o investimento em regadio importante para aumentar a produtividade e competitividade das explorações, melhorar a qualidade da produção e garantir maior capacidade de resposta perante períodos de escassez de água.
Fonte: Revista Voz do Campo