A gestão do turismo está a ganhar um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento dos destinos turísticos. Numa altura em que Portugal continua a afirmar-se como um dos principais destinos europeus, especialistas e responsáveis do setor defendem que o desafio já não é atrair mais visitantes, mas garantir que o crescimento da atividade é compatível com a qualidade de vida dos residentes e a sustentabilidade dos territórios.
Neste sentido, esta foi uma das principais conclusões do painel “Governação do Turismo: Equilíbrio entre Crescimento e Coesão”, que reuniu representantes do município do Porto, do Turismo do Porto e Norte de Portugal e da Associação do Alojamento Local em Portugal.
Gestão do turismo exige decisões baseadas em dados
A evolução do setor tem demonstrado que a gestão do turismo não pode ser feita de forma isolada. Questões como habitação, mobilidade, planeamento urbano, investimento privado e bem-estar das comunidades locais passaram a integrar a mesma equação.
Posto isto, os intervenientes defenderam que as decisões devem assentar cada vez mais em dados concretos e menos em perceções ou narrativas sem fundamento estatístico. O objetivo passa por compreender de forma rigorosa os impactos do turismo e identificar os desafios reais enfrentados pelos territórios.
Segundo os responsáveis presentes no debate, a utilização de informação fiável permite desenvolver políticas mais equilibradas e sustentáveis, capazes de responder às necessidades dos residentes e dos visitantes.
Crescimento turístico e qualidade de vida devem caminhar juntos
Um dos temas em destaque foi a necessidade de garantir que o crescimento da atividade turística não compromete a qualidade de vida das populações locais.
Assim, os especialistas sublinharam que uma cidade atrativa para os turistas deve também ser uma cidade agradável para quem nela vive. Neste contexto, a gestão do turismo deve procurar um equilíbrio entre desenvolvimento económico, preservação da identidade local e valorização dos espaços urbanos.
Foi igualmente referido que a reabilitação urbana registada em várias cidades portuguesas nas últimas décadas contou com um importante contributo da atividade turística e do investimento associado ao setor.
Gestão do turismo contribui para diversificar destinos
Outro dos desafios identificados passa pela distribuição mais equilibrada dos fluxos turísticos. Nos últimos anos, várias entidades têm apostado na promoção de experiências fora dos destinos tradicionalmente mais procurados.
A estratégia procura mostrar aos visitantes a diversidade existente nas diferentes regiões portuguesas, incluindo património cultural, natureza, enoturismo, gastronomia, turismo industrial e experiências ligadas ao mundo rural.
Por sua vez, compreende-se que esta abordagem permite reduzir a concentração de visitantes em determinadas zonas e criar novas oportunidades de desenvolvimento económico para outros territórios.
Cooperação reforça a gestão do turismo
A cooperação entre entidades públicas, associações e operadores privados foi apontada como um fator essencial para o sucesso da gestão do turismo.
Segundo os participantes, o trabalho conjunto facilita a implementação de projetos estratégicos e contribui para um crescimento mais equilibrado do setor. A partilha de informação e a coordenação entre diferentes organismos são vistas como ferramentas fundamentais para responder aos desafios atuais e futuros.
Também o alojamento local foi identificado como um elemento importante na revitalização urbana e na dinamização económica de vários territórios, sendo defendida a necessidade de continuar a acompanhar o crescimento da atividade através de mecanismos de monitorização e planeamento.
O futuro da gestão do turismo passa pela sustentabilidade
As conclusões do debate apontam para uma mudança de paradigma no setor. Se durante muitos anos o principal objetivo foi aumentar o número de visitantes, atualmente a prioridade passa por assegurar que esse crescimento é sustentável e beneficia tanto os turistas como as comunidades locais.
Neste cenário, a gestão do turismo assume-se como uma ferramenta estratégica para promover o equilíbrio entre desenvolvimento económico, coesão territorial, preservação cultural e qualidade de vida, contribuindo para um modelo turístico mais resiliente e preparado para os desafios do futuro.
Fonte: ECO Sapo