A escassez de mão de obra agrícola continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelo setor agroalimentar português. Um dos exemplos mais recentes surge na indústria do tomate, que procura atualmente centenas de trabalhadores sazonais para assegurar as operações de colheita e transformação durante a campanha deste ano.
A dificuldade em recrutar trabalhadores suficientes para responder às necessidades do setor volta a colocar em evidência um problema que se tem vindo a agravar ao longo dos últimos anos e que afeta várias fileiras da agricultura nacional.
Falta de mão de obra agrícola preocupa setor
A campanha do tomate exige um elevado número de profissionais em períodos específicos do ano, sobretudo durante a fase de colheita e processamento industrial. A disponibilidade de mão de obra agrícola é, por isso, determinante para garantir o normal funcionamento das explorações e das unidades de transformação.
Atualmente, o setor enfrenta uma necessidade urgente de cerca de 400 trabalhadores sazonais, uma situação que poderá criar dificuldades operacionais caso as vagas não sejam preenchidas atempadamente.
A escassez de recursos humanos tem sido apontada como um dos principais fatores de risco para a competitividade das explorações agrícolas, especialmente nas culturas que dependem de mão de obra intensiva.
Impacto na produção e nas exportações
A falta de trabalhadores não afeta apenas as operações agrícolas. As consequências podem estender-se a toda a cadeia de valor, desde a colheita até ao processamento e comercialização dos produtos.
No caso da indústria do tomate, eventuais limitações na disponibilidade de mão de obra agrícola podem comprometer a recolha da produção dentro dos prazos ideais, afetando a produtividade e a qualidade da matéria-prima entregue às unidades industriais.
Sendo Portugal um dos principais produtores europeus de tomate para transformação, qualquer quebra na capacidade operacional pode refletir-se também no abastecimento dos mercados e no desempenho das exportações do setor.
Desafio estrutural para a agricultura portuguesa
A dificuldade em atrair trabalhadores para as atividades agrícolas não é uma realidade recente. Diversos estudos têm demonstrado que o setor enfrenta desafios relacionados com o envelhecimento da população ativa, a reduzida disponibilidade de trabalhadores nacionais e a crescente dependência de mão de obra estrangeira.
Ao mesmo tempo, a concorrência de outros setores económicos e de outros mercados europeus torna mais difícil o recrutamento de profissionais para atividades sazonais.
Esta realidade reforça a necessidade de desenvolver soluções estruturais que permitam garantir a disponibilidade de mão de obra agrícola nos períodos de maior procura.
Empresas reforçam estratégias de recrutamento
Perante este cenário, as empresas do setor têm procurado implementar diferentes medidas para aumentar a atratividade das oportunidades de trabalho disponíveis.
Entre as estratégias utilizadas encontram-se a melhoria das condições de trabalho, a oferta de incentivos financeiros e o reforço das campanhas de recrutamento. O objetivo passa por responder rapidamente às necessidades da campanha agrícola e minimizar eventuais impactos na produção.
Em algumas regiões, as empresas continuam a promover ações específicas de contratação para apoiar tanto as explorações agrícolas como as unidades industriais associadas à transformação do tomate.
Garantir o futuro do setor com mão de obra agrícola
A disponibilidade de mão de obra agrícola será um fator decisivo para assegurar a competitividade futura da agricultura portuguesa. A crescente modernização das explorações e o recurso à tecnologia podem ajudar a reduzir algumas necessidades operacionais, mas várias culturas continuam a depender fortemente do trabalho humano.
Por esse motivo, produtores, empresas e entidades públicas são cada vez mais chamados a encontrar soluções que permitam responder às necessidades do setor, garantir a continuidade das campanhas agrícolas e reforçar a sustentabilidade de uma atividade essencial para a economia nacional.
Fonte: Diário Distrito Sapo