A produção solar atingiu um novo máximo de potência em Portugal durante o mês de agosto, chegando a cerca de 3.850 megawatts (MW), segundo os dados divulgados pela REN. O novo recorde acompanha o crescimento da capacidade instalada e surge apesar de as condições meteorológicas terem sido menos favoráveis à produção fotovoltaica durante o mês.
Ao mesmo tempo, o consumo de eletricidade continua a crescer. Entre janeiro e agosto, o consumo de energia elétrica em Portugal aumentou 3,1% face ao mesmo período de 2025, ou 3% quando corrigidos os efeitos da temperatura e do número de dias úteis.
Produção solar cresce mesmo com condições menos favoráveis
O desempenho registado em agosto ganha particular relevância porque as condições meteorológicas não foram especialmente favoráveis à produção renovável. Segundo a REN, os índices de produtibilidade da energia fotovoltaica e da eólica ficaram abaixo da média histórica, com valores de 0,82 e 0,87, respetivamente.
Ainda assim, a produção solar conseguiu atingir um novo máximo de potência, resultado do aumento da capacidade instalada no país. A evolução demonstra o peso crescente que a energia fotovoltaica está a assumir no sistema elétrico nacional.
No caso da energia hidráulica, as afluências estiveram acima dos valores médios, embora com pouca expressão no contexto de um mês de verão.
No conjunto, as fontes renováveis foram responsáveis por 52% do consumo nacional de eletricidade em agosto. A produção não renovável representou 12%, enquanto os restantes 36% corresponderam ao saldo importador.
Renováveis já abasteceram 66% do consumo até agosto
Olhando para os primeiros oito meses do ano, o peso das energias renováveis é ainda mais evidente. Entre janeiro e agosto, estas fontes asseguraram 66% do consumo nacional de eletricidade.
A produção hidroelétrica foi responsável por 25% do consumo, seguida da eólica, com 23%. A energia fotovoltaica representou 13% e a biomassa 5%.
A produção de eletricidade a partir de gás natural correspondeu a 14% do consumo, enquanto os restantes 20% foram assegurados pelo saldo importador.
Os números mostram, assim, uma evolução significativa da capacidade renovável instalada e, em particular, da produção solar, que continua a ganhar espaço no mix energético português.
Importações de eletricidade atingem novo máximo
Apesar do crescimento da produção renovável, Portugal registou também um novo máximo na importação de eletricidade. Segundo a REN, foram atingidos valores superiores a 5.200 MW, num cenário que surge depois do recente reforço da interligação com Espanha.
A maior capacidade de interligação permite aumentar as trocas de eletricidade entre os dois países, o que também se refletiu num saldo exportador de gás natural através da interligação com Espanha, equivalente a cerca de um terço do consumo nacional nos primeiros oito meses do ano.
Consumo de gás natural também aumenta
A evolução do setor elétrico acontece num contexto de crescimento do consumo de gás natural. Entre janeiro e agosto, o consumo deste combustível aumentou 2,2% face ao mesmo período do ano anterior, com o segmento de produção de eletricidade a registar um crescimento mais expressivo, de 7,4%.
O abastecimento nacional de gás natural foi realizado integralmente através do terminal de GNL de Sines. Nos primeiros oito meses do ano, a Nigéria e os Estados Unidos foram as principais origens do gás consumido em Portugal, representando 57% e 31% do total, respetivamente. A Rússia representou 6%, enquanto os restantes 6% tiveram origem na interligação com Espanha.
A evolução registada em agosto reforça, assim, uma tendência que se tem vindo a consolidar: a produção solar assume uma importância crescente no abastecimento energético nacional e a expansão da capacidade instalada permite aumentar a geração fotovoltaica mesmo quando as condições meteorológicas não são particularmente favoráveis.
Para Portugal, o desafio passa agora por continuar a integrar esta capacidade renovável no sistema elétrico, acompanhando o crescimento da procura e garantindo que a transição energética se traduz numa maior capacidade de produção nacional.
Fonte: ECO Sapo