As principais associações do setor do turismo acreditam que o verão de 2026 deverá ser positivo para a atividade turística em Portugal, embora reconheçam que será uma época alta mais exigente do que nos anos anteriores. A procura mantém-se sólida, mas os consumidores estão mais atentos ao preço, à segurança e às condições das viagens.
As perspetivas foram avançadas por representantes da hotelaria, das agências de viagens e da Confederação do Turismo de Portugal, que apontam para reservas em linha ou acima das registadas em 2025, mas alertam para a necessidade de uma gestão mais cuidadosa dos custos e da operação.
Procura mantém-se forte
Segundo os responsáveis do setor do turismo, o mês de junho revelou sinais positivos, impulsionados pelos feriados, pelas pontes e pelo início das férias escolares. A intenção de viajar continua elevada, tanto entre os turistas portugueses como nos principais mercados emissores internacionais.
As reservas para o verão apresentam níveis semelhantes ou superiores aos do ano passado, sobretudo nos destinos de praia, ilhas, escapadinhas de curta duração e viagens familiares. Ainda assim, as empresas reconhecem que o comportamento do consumidor mudou.
O cliente atual compara mais ofertas, procura maior flexibilidade, valoriza as condições de cancelamento e demora mais tempo a tomar a decisão de compra. Esta tendência está a tornar a operação comercial mais exigente para hotéis, operadores e agências de viagens.
Preço e segurança pesam na decisão
As associações sublinham que a situação geopolítica internacional não está a travar a vontade de viajar, mas está a influenciar a forma como as viagens são planeadas. O consumidor procura destinos considerados seguros, rotas aéreas estáveis e maior previsibilidade dos custos totais da viagem.
O aumento dos preços da energia, do combustível e do transporte aéreo também está a ter impacto nas escolhas. Em vez de cancelar as férias, muitos viajantes optam por ajustar o orçamento, reduzindo dias de estadia, escolhendo destinos mais próximos ou privilegiando soluções com melhor relação qualidade-preço.
Para o setor do turismo, o desafio passa por transformar a procura existente em vendas efetivas e em experiências positivas para os clientes, mantendo simultaneamente a rentabilidade das empresas.
Verão positivo, mas não automático
Os representantes das agências de viagens e da hotelaria convergem numa ideia central: o verão de 2026 não deverá ser um verão de consumo automático. Haverá procura, mas será necessário garantir capacidade de resposta, disponibilidade aérea, estabilidade operacional e preços que o mercado consiga absorver.
Entre os fatores de maior preocupação continuam a estar os custos operacionais elevados, a pressão sobre a aviação, as limitações das infraestruturas aeroportuárias e a evolução do contexto internacional.
Ainda assim, a expectativa dominante é de continuidade da resiliência do setor do turismo português, que deverá manter níveis de atividade próximos dos registados na época alta de 2025.
Consumidor mais informado
Outro dos sinais identificados pelas associações é o aumento da exigência do consumidor. Os viajantes pesquisam mais, pedem mais informação e valorizam soluções com custos previsíveis, como pacotes tudo incluído ou reservas efetuadas com antecedência.
Esta mudança de comportamento obriga as empresas do setor do turismo a reforçar a transparência na comunicação, a flexibilidade comercial e a qualidade do serviço prestado.
Ao mesmo tempo, Portugal continua a ser visto como um destino seguro e estável, fator que pode beneficiar tanto a procura interna como a procura internacional nos próximos meses.
Perspetiva para a época alta
Com base nos indicadores de junho, as associações acreditam que a época alta de 2026 deverá ser positiva para o setor do turismo português. No entanto, o desempenho final dependerá da estabilidade operacional dos aeroportos, da evolução dos custos e da capacidade das empresas em responder a um consumidor mais racional e mais atento ao valor daquilo que compra.
O consenso entre os representantes do setor é claro: a procura existe, mas o verão exigirá maior eficiência, melhor gestão e uma atenção permanente às expectativas dos viajantes.
Fonte: ECO Sapo