O Turismo Azul está a afirmar-se como uma área estratégica para o desenvolvimento sustentável das regiões costeiras, mas a evolução do setor exige novas competências e modelos de formação mais adaptados às necessidades do mercado. Esta é uma das principais conclusões do projeto europeu CODEBLUE, que analisou a realidade portuguesa e identificou lacunas na formação ligada à economia azul.
Os resultados do estudo serão apresentados numa sessão cocriativa promovida pelo KIPT CoLAB, na Universidade do Algarve, com o objetivo de transformar as conclusões em medidas práticas para reforçar a qualificação do setor.
Formação em Turismo Azul continua limitada
O levantamento realizado no âmbito do projeto revela que apenas 28% dos estudantes têm atualmente acesso a formação relacionada com competências da Economia Azul, apesar de todos os participantes reconhecerem a importância do turismo para este setor. Mais de 70% consideram esta ligação muito ou extremamente relevante.
Os dados mostram ainda que metade dos programas de ensino analisados não inclui conteúdos sobre turismo costeiro ou marítimo, enquanto 43,8% não abordam temas relacionados com a sustentabilidade marinha. Apenas 6,3% dos inquiridos afirmam possuir uma formação completa nestas áreas.
Competências para o Turismo Azul passam pela sustentabilidade e inovação
O estudo identifica um conjunto de competências consideradas prioritárias para o futuro do Turismo Azul. Entre elas destacam-se a gestão do impacto ambiental, a sustentabilidade costeira, a inovação aplicada ao turismo marítimo, a adaptação às alterações climáticas, a monitorização de dados e as competências digitais.
Estas áreas são apontadas como fundamentais para responder aos novos desafios ambientais e tecnológicos que afetam a atividade turística nas zonas costeiras e marítimas.
Empresas defendem formação mais prática e flexível
Os resultados evidenciam também uma forte preferência por modelos de aprendizagem mais curtos e especializados. Entre os estudantes inquiridos, 63,6% demonstram interesse em microcredenciais com duração entre 25 e 30 horas, enquanto 45,5% consideram o formato híbrido o mais adequado para desenvolver novas competências.
Do lado das empresas, 90% dos empregadores defendem que a formação deve integrar uma componente mais prática, facilitando a preparação dos profissionais para os desafios do mercado. Além disso, mais de metade identifica a escassez de cursos especializados como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do setor.
Turismo Azul depende da qualificação dos profissionais
As conclusões do projeto CODEBLUE reforçam a necessidade de adaptar os modelos de ensino às exigências atuais do mercado de trabalho. A aposta em formação mais flexível, multidisciplinar e orientada para competências práticas poderá contribuir para acelerar a transição do Turismo Azul para um modelo mais inovador, sustentável e preparado para responder aos desafios das regiões costeiras.
À medida que o setor continua a crescer, a qualificação dos profissionais será um fator decisivo para potenciar a competitividade e promover um desenvolvimento sustentável da economia azul em Portugal.
Fonte: Publituris