A internacionalização do setor agroalimentar no país, tem o objetivo de exportação a curto prazo de 10 000 milhões de euros.
Hoje em dia, as múltiplas disrupções que ocorrem, como por exemplo na política com a reeleição de Donald Trump como Presidente dos EUA, ou as duas guerras que ocorrem, impactam de forma elevada as trocas comerciais e a segurança alimentar mundial.
Face a estas tensões, surgem determinadas oportunidades para a União Europeia, que tem de criar a sua independência para ser mais valorizada no cenário político mundial e travar o pessimismo que se vai instalando e alimentando os extremismos.
Ora, para que isso ocorra, é necessária uma política comercial agroalimentar coerente com outras políticas, em Portugal e na União Europeia, que aposte no multilateralismo, acordos de livre comércio equilibrados, sem que a Agricultura seja moeda de troca. Deste modo, a internacionalização no setor agroalimentar passa por considerar novas oportunidades na criação de valor, bem como afirmar a cultura, património e diversidade. Por outro lado, para exportar é necessário ter em conta as importações, procurando sempre o equilíbrio na balança comercial.
No ano de 2023, o país teve um déficit no agroalimentar na ordem dos 5,5 milhões de euros, sendo que parte do incremento se ficou a dever aos produtos de origem animal. Segundo dados recentes do PDR2020, com apoios públicos no valor de 200 milhões de euros, é possível alavancar um volume de negócios de 2 000 milhões de euros, pelo que é crucial investir e apostar no agroalimentar para a criação de riqueza do país.
Assim, a meta dos 10 000 milhões de euros deve ser considerada no que toca à internacionalização do setor agroalimentar para Portugal. Em termos de desempenho, os resultados têm sido positivos, na medida em que vai ser possível ultrapassar os 8 000 milhões de euros. No entanto, Portugal continua demasiado dependente do mercado europeu, mais propriamente de Espanha, França, Alemanha e Itália.
Tal como referido no documento estratégico da FIPA relativo ao período 2024-2028, é bastante relevante que Portugal seja usado como plataforma de exportação em articulação com o crescimento e sustentabilidade do mercado interno, para que possam ser desenvolvidas políticas económicas e diplomáticas.
Fonte:Revista Voz do Campo