As exportações da indústria alimentar e das bebidas de Portugal atingiram os 3.307 milhões de euros entre janeiro e maio de 2026, registando um crescimento de 3,3% face ao mesmo período do ano anterior.
Posto isto, os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), demonstram que o desempenho positivo foi impulsionado sobretudo pelos mercados fora da União Europeia, apesar da redução das exportações para os Estados Unidos.
De acordo com a Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), estes resultados refletem a capacidade das empresas nacionais para responder aos desafios dos mercados internacionais e reforçam a importância da diversificação dos destinos de exportação.
Mercados extracomunitários impulsionam as exportações da indústria alimentar
Entre janeiro e maio, as exportações para mercados extracomunitários cresceram 5,9%, com destaque para Cabo Verde, Brasil, Angola e Japão, que registaram alguns dos maiores aumentos nas importações de produtos alimentares e bebidas portugueses.
Em contrapartida, os Estados Unidos apresentaram uma quebra de 9,6%, contrariando a tendência de crescimento verificada na maioria dos restantes mercados internacionais.
No espaço comunitário, as exportações totalizaram 2.260 milhões de euros, o que representa uma subida de 2,2% face ao mesmo período de 2025. Entre os países da União Europeia, Itália e Países Baixos destacaram-se pelos maiores crescimentos, enquanto Polónia e Bélgica registaram reduções nas compras de produtos portugueses.
Diversificação dos mercados reforça competitividade
Para Jorge Tomás Henriques, presidente da FIPA, a evolução das exportações confirma a qualidade, a capacidade de inovação e a resiliência da indústria alimentar portuguesa.
Por sua vez, o responsável considera particularmente positivo o dinamismo dos mercados extracomunitários, uma vez que demonstra a importância de diversificar os destinos de exportação e reduzir a dependência dos mercados tradicionais, tornando as empresas mais preparadas para responder às mudanças do comércio internacional.
Crescimento exige continuidade do apoio às empresas
Apesar dos resultados positivos, a FIPA alerta que este crescimento não deve ser encarado como garantido. As tensões geopolíticas, a inflação e o aumento da concorrência internacional continuam a representar desafios para as empresas exportadoras.
Neste contexto, a federação defende o reforço dos instrumentos de apoio à internacionalização, bem como políticas que promovam a competitividade, o investimento e a criação de valor.
De acordo com a FIPA, a evolução registada nos primeiros cinco meses de 2026 confirma o papel estratégico da indústria alimentar e das bebidas na economia nacional, contribuindo para a criação de riqueza, de emprego qualificado e para a valorização da marca Portugal nos mercados internacionais.