Portugal lidera ranking mundial de resiliência alimentar
Portugal foi considerado o país com o sistema alimentar mais resiliente do mundo, segundo o índice internacional “Resilient Food Systems Index” (RFSI), desenvolvido pela Economist Impact, plataforma associada à The Economist.
O sistema alimentar português alcançou uma pontuação global de 76,83 pontos, liderando um ranking que avaliou 60 países. França e Reino Unido surgem logo atrás de Portugal, com diferenças mínimas na classificação final.
O estudo analisou diferentes fatores ligados à capacidade dos países garantirem segurança alimentar, qualidade nutricional, acessibilidade e resposta a riscos climáticos e económicos.
Qualidade e segurança colocam Portugal no topo
Entre os quatro pilares avaliados pelo índice, o sistema alimentar português destacou-se sobretudo na categoria “Qualidade e Segurança”, onde obteve 88,53 pontos em 100 possíveis.
Segundo a Economist Impact, este desempenho resulta de vários fatores, incluindo a elevada diversidade alimentar, a qualidade proteica da dieta e os elevados padrões de segurança alimentar existentes no país.
Portugal recebeu mesmo a pontuação máxima no indicador relacionado com a quantidade de proteína de alta qualidade disponível na alimentação.
Além disso, o estudo atribuiu classificações muito elevadas a áreas como:
- acessibilidade de uma dieta saudável;
- segurança alimentar;
- gestão de catástrofes;
- mão-de-obra agrícola inclusiva e qualificada.
Estes resultados ajudam a consolidar a posição do sistema alimentar português como um dos mais equilibrados e resilientes a nível internacional.
Sistema alimentar português destaca-se na acessibilidade
Outro dos fatores que contribuiu para a liderança portuguesa foi a acessibilidade alimentar. O país obteve 79,23 pontos neste indicador, refletindo a capacidade de garantir acesso a uma alimentação saudável a diferentes segmentos da população.
O índice avaliou, por exemplo, a acessibilidade de uma dieta saudável para os 40% mais pobres da população, área em que Portugal conseguiu uma pontuação próxima do máximo.
Também na disponibilidade alimentar, que mede a variedade e consistência da oferta de alimentos, o sistema alimentar português apresentou resultados positivos.
Riscos climáticos continuam a ser um desafio
Apesar da liderança mundial, o relatório identifica algumas fragilidades no sistema alimentar português. A principal está relacionada com a capacidade de resposta aos riscos climáticos, área em que Portugal obteve a classificação mais baixa entre os quatro pilares avaliados.
Segundo a Economist Impact, existe margem para reforçar medidas de mitigação e adaptação climática, bem como reduzir a exposição a riscos físicos que possam afetar a produção agrícola e o abastecimento alimentar.
O estudo identifica ainda limitações ao nível das despesas públicas em investigação e desenvolvimento agrícola, um indicador onde Portugal apresentou uma das pontuações mais baixas da avaliação.
Sustentabilidade e inovação ganham importância
O relatório sublinha que vários países estão atualmente a investir em práticas agrícolas sustentáveis e em investigação agrícola de baixas emissões.
No entanto, alerta que a resiliência alimentar dependerá cada vez mais da capacidade de transformar esses investimentos em estratégias concretas e aplicáveis ao longo de toda a cadeia alimentar.
A Economist Impact destaca ainda a importância de melhorar infraestruturas como cadeias de refrigeração, reforçar o comércio agrícola e harmonizar medidas internacionais ligadas ao setor alimentar.
Portugal reforça posição no setor agroalimentar
A distinção atribuída ao sistema alimentar português surge num contexto em que o setor agroalimentar nacional procura aumentar competitividade, sustentabilidade e capacidade de adaptação.
Nos últimos anos, temas como segurança alimentar, agricultura regenerativa, inovação tecnológica e eficiência da cadeia de abastecimento ganharam maior relevância no setor agrícola português.
Com esta classificação, Portugal reforça a sua posição internacional enquanto referência em qualidade alimentar, segurança e capacidade de resposta do sistema agroalimentar.